Lembranças
Hoje eu estava me lembrando e comentando com meu maridão que eu já vi um atropelamento de perto, e foi num racha, quando eu ainda era bem novinha e ficava assistindo a isso numa rua em SBC, onde o lance era praticar racha e dar cavalos de pau. Moto e carro, tudo junto, era bem divertido.
Era um movimento incrível, muita gente para assistir os “pilotos” com seus carros possantes (nada comparado aos carros dos Velozes e Furiosos – estavam mais para atrozes e curiosos) e as manobras dos motoqueiros, que empinavam daqui, pulavam dali, macaquices legais. Ficávamos (uma turminha) em cima de uma caminhão de um tiozinho para poder ver (ele era fanático pelos rachas), isso a uns 20 a 30 metros de distância da “apresentação”.
Mas tinham aqueles que precisavam estar perto da emoção, e não eram poucos, uma multidão em volta da rua, passando a calçada, muito pertos dos carros dando cavalos de pau ou quase se encostando a eles, uma verdadeira loucura - eu não sabia de exclamava sobre o cavalo de pau perfeito ou sobre o carro ter parado a poucos milímetros de passar por cima de uns.
Até que veio o carrão, que se me recordo bem, era uma daquelas banheiras tipo Comodoro. Muito classe. Não teve quem não aplaudiu.
No primeiro racha ele ganhou, o segundo, o terceiro. Aquele lance de ficar gastando o pneu no asfalto para fazer um circulo... nossa, foi muito legal, fumaça para todos os lados, e cada vez que ele apresentava algo, mais a multidão se aproximava, como almejando estar mais próximo do perigo, da aventura (sabe aqueles manés que gostam de chegar bem perto do perigo e pular fora, escapando, só para se vangloriar? Pois é...).
E ele, do Comodoro, veio correndo, e deu o cavalo de pau. Voltou lá pro finalzão da rua, acelerou muito, pneu cantado “desbesteado” enquanto esperava o outro fazer sua performance, e veio, farol aceso, endiabrado e PAM!
Vou te contar, nunca ouvi um barulho tão alto, pois mesmo com as motos e os carros acelerados, o baque do carro no corpo foi alto. Silêncio. Lembro que o rapaz atingido voou alto, não sei mensurar quanto, mas foi bem alto, pois parece hoje câmera lenta, demorou a cair. Nenhum movimento veio dele, estirado no chão. Também não vi sangue ou qualquer gosma ou fluido.
Senti o caminhão mexendo, tivemos que pular com ele andando. O tiozinho deu “pernas para quem te quero”, assim como todo o pessoal. Imagine, foi aquela insanidade coletiva de medo e pânico. Eu fiquei meio desnorteada, não lembrava onde tinha deixado meu carro, ainda bem que não estava sozinha, me puxaram, entrei no carro e vim embora, acho que automaticamente. Ainda consegui ouvir as sirenes, mas fiquei tranqüila, já havia passado da avenida, inalcançável e totalmente fora de suspeita.
Nunca mais voltei lá, nem fiquei sabendo se o carinha morreu ou se o ‘Sr. Comodoro’ foi preso. Acho que não. No fundo, não foi culpa dele...se bem que...imperícia, negligência, imprudência.
Esse foi o tema do meu trabalho de Penal, na Facu. Tive nota péssima, mas é assunto para outra história.

- Postado por: Elektrabancore às 22h01
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